“Cada viagem que faço é uma aprendizagem…” – Vanessa Veloso

Para estrear a nossa nova rubrica “Entrevistar os Seguidores”, vamos dar a conhecer a Vanessa Veloso, uma jovem viajante que nos tem inspirado através das suas palavras e fotografias, que acompanhamos no blog “From a Soul, to a Dream” e no seu instagram.

Desafiamos a nossa seguidora a responder a algumas questões sobre viagens e esperamos que se deliciem com as suas palavras e que estas vos inspirem a viajar ainda mais.

A Vanessa tinha um sonho, arregaçou as mangas e agora corre atrás dele!

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O que é para ti, viajar?

“Muitas vezes afirmo em tom de brincadeira, mas a minha  realidade é esta: viajar está-me nos genes. Desde muito novinha que comecei a viajar com os meus pais, e adorava! Lembro-me de ir com eles a Londres, Paris…, e de como a possibilidade de conhecer outras cidades deixava-me contente! Aquelas ‘borboletas no estômago’ inexplicáveis cada vez que entrava num avião… E, lá está, o que é certo é que o ‘bichinho’ ficou e a paixão cresceu e, com a idade, comecei a organizar os meus próprios roteiros e viagens.

Quando fiz 20 anos aventurei-me, pela primeira vez sozinha, dentro de um comboio e viajei até terras espanholas. Senti algum receio, confesso, apesar de o destino ser já ali, o país ao lado. No entanto, medos vencidos, a vontade de ir prevaleceu perante o receio de ir sozinha, e bem… Que experiência maravilhosa!

Para mim, viajar é isso mesmo: experiências, vivências, memórias. Viajar é explorar, é a adrenalina da descoberta, são os costumes, as tradições, as pessoas que se cruzam connosco pelo caminho. Viajar é, acima de tudo, um processo de autodescoberta e, até mesmo, de reflexão. Viajar é pegar na minha máquina fotográfica e sair por aí fora… Fotografar paisagens, detalhes, tradições, costumes, pessoas. Cada viagem que faço é uma aprendizagem, é conhecer também mais um bocadinho de mim, é cultivar-me. E já dizia Mário Quintana que ‘viajar é trocar a roupa da alma’ , e eu não poderia concordar mais!”

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Que frase sobre viagens te inspira?


“Em Junho de 2012, Jeff Goins escreveu um artigo para a Converge Magazine que me inspirou como nenhum outro artigo ou frase antes tinha conseguido.

Um dos parágrafos que mais me marcou diz o seguinte:
-“Traveling will change you like little else can. It will put you in places that will force you to care for issues that are bigger than you. You will begin to understand that the world is both very large and very small. You will have a newfound respect for pain and suffering, having seen that two-thirds of humanity struggle to simply get a meal each day. While you’re still young, get cultured. Get to know the world and the magnificent people that fill it. The world is a stunning place, full of outstanding works of art. See it.”.

E, termina o artigo desta forma incrível: “And if you’re not as young as you’d like (few of us are), travel anyway. It may not be easy or practical, but it’s worth it. Travelling allows you to feel more connected to your fellow human beings in a deep and lasting way, like little else can. In other words, it makes you more human.”.
Aconselho a leitura deste artigo na íntegra, está fabuloso.”

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Onde achas que viveste noutra vida?

“Esta é uma daquelas questões em que não preciso de pensar, a resposta surge de imediato: Índia.
Além de ser uma das minhas viagens de sonho (e está para breve!), para mim, a Índia é um país fascinante. A cultura deste país é escandalosamente diversa, desde a comida, à religião, ao cinema, as línguas, a arquitetura…

Deixo-vos algumas curiosidades:

*Sabiam que a Índia produz mais cinema que qualquer outro país no Mundo? É verdade! Além disso, o cinema indiano é mundialmente famoso devido aos seus espetáculos de música e dança.

*O hinduísmo (religião oficial da Índia) é, também, a terceira maior religião do mundo.

*O Taj Mahal (uma das principais atrações indianas para turistas) é conhecido em todo o Mundo como um Símbolo de Amor. Sabiam que este edifício é um túmulo muçulmano!? Na sua construção, participaram pelo menos 20 mil homens e alguns animais (inclusive elefantes), e demorou mais de uma década a ficar pronto (22 anos para ser mais exata).

*Para os turistas, um bom método para conhecer o país (e tentar ser organizado no seu caos), é o chamado ‘Triângulo Dourado’. Este nome nada mais é do que a região noroeste da Índia, que engloba Nova Déli, Agra e Jaipur nas extremidades de um triângulo perfeito, formando um dos tesouros turísticos indianos.

*A comida indiana é caracterizada pela diversidade, mas há algumas tendências gerais na sua confeção: o ‘curry’ (pedaços de carne, legumes, verduras e outros alimentos misturados num molho temperado) e o thali (oferece uma variedade de comidas num prato só, sendo um prato grande com vários pratos mais pequeninos em que são colocados curries de legumes e verduras, lentilhas, molhos… Normalmente é servido com arroz e, no norte do país, também é comum ser servido com pão).

*E sabiam que os indianos comem sempre com a mão direita? A mão esquerda é utilizada apenas para coisas “sujas”.

Mais importante que tudo isso, para mim, é o facto incrível de como naquele país podemos observar a pessoa mais pobre, e com menos condições, sempre com um sorriso maravilhoso na cara. Faz-me realmente parar e pensar que todos precisamos de sentir muito mais gratidão por tudo o que temos, vivemos e experienciamos. Há quem,  com muito menos, seja muito mais Feliz!
Isto tudo para partilhar convosco um bocadinho da admiração que sinto por aquele país.”

Em Portugal, qual é o teu destino preferido? 

“Aqui está uma pergunta realmente difícil. E a esta eu vou ter de responder: ‘não consigo escolher apenas um‘! A realidade é que temos um país maravilhoso!

Podia nomear toda a maravilhosa zona do Parque da Peneda-Gerês, ou a cidade do Porto (que trago sempre no coração). Podia referir as nossas maravilhosas aldeias de xisto (Piódão, Talasnal, Covas do Monte…), porque todas elas carregam na sua beleza, vestígios incríveis de um passado distante.

Podia dissertar sobre a forma como a Ilha de São Miguel (Açores) conquistou-me com a beleza das suas paisagens.
Praias? Podia nomear umas quantas e não conseguiria afirmar qual delas é dona de maior beleza. A tão famosa Costa Vicentina? Única e imperdível!

Quanto à Serra da Estrela, explorem os seus recantos mais escondidos e as aldeias que a rodeiam e vão, decerto, perceber a sua tremenda beleza. Aveiro, Braga, Coimbra, Guimarães, Lisboa, Viseu…

Viajar não é apenas ir para fora, mas também conhecer o nosso próprio país. Experimentem, explorem e, tenho a certeza de que, tal como eu, vão descobrir uma imensa paixão por Portugal!”

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Organizas as tuas próprias viagens? Como?

“Sim. Dentro ou fora de Portugal, sou sempre eu que planeio e organizo as minhas viagens.

Primeiro, e mais importante que tudo, analiso o meu budget. Depois de ter noção de quanto posso gastar na viagem e no destino escolhido, faço uma pesquisa para a escolha do destino.

Na escolha do destino começo por perguntar-me “onde queres realmente ir, que esteja dentro do teu budget?”, e quando chego a uma resposta final procedo à reunião de informações que, pessoalmente, considero importantes:

– Altura do ano/meteorologia na altura do ano em que viajo para o destino escolhido – para mim, uma informação fulcral porque acaba sempre por influenciar na experiência que irei ter;

– Viaje ou não sozinha, a segurança é muito importante. No entanto, confesso que quando viajo sozinha pesquiso muito mais sobre a questão da segurança – se o país é seguro, quais os riscos/dificuldades com que me posso deparar…;

– Alojamento – pesquiso alojamentos disponíveis, preços e reviews e decido o que melhor se adequa às minhas necessidades (boa localização, relação qualidade-preço, normalmente opto sempre por alojamento com pequeno-almoço incluído…);

– O que visitar? – pesquiso as atrações habituais para turistas e os seus preços e horários, mas também gosto bastante de pesquisar outros sítios, que não sejam tão comuns a turistas, através de blogs, guias e revistas.
Confesso que o Instagram tem sido um grande aliado nesta pesquisa nos últimos anos.

Após toda a informação reunida, normalmente com a ajuda do Google Maps, planeio os dias e elaboro os roteiros, de forma a aproveitar todo o tempo possível para conhecer o destino;

– Burocracias – seguro de viagem, cartão europeu de saúde, cotação de moedas (se necessário), passaporte, etc…

– Onde comer? – confesso que esta é das últimas coisas que pesquiso. Normalmente reúno dois ou três restaurantes que sejam referência (e que o meu budget aguente!), no entanto, prefiro no destino explorar e procurar algo que se enquadre no meu estilo alimentar e vontade do momento (e bendito seja, também, o TripAdvisor!);

– Bagagem – começo de imediato a delinear o que é necessário levar, consoante a altura do ano e as minhas necessidades pessoais. Normalmente elaboro uma lista para, posteriormente, fazer a mala mais descansada (sim, sou dessas que se esquece SEMPRE de alguma coisa – shame on me).”

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Obrigada Vanessa, por teres aceite este desafio! Estamos certos de que te deu um enorme prazer partilhar a tua experiência com os restantes Gatos!

Boas viagens!

 

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