“Viajar está sempre no top das minhas prioridades” – Ana Tavares

A Ana Tavares é uma viajante do Mundo e a mentora do “Natural wanderer“. Estavamos ansiosos por conhecer algumas das suas dicas e, por isso, pedimos-lhe para que nos respondesse a algumas questões! 

O que é para ti “Viajar”?

Acredito que o bichinho das viagens me foi incutido desde criança, ao ver fotografias, vídeos e a ouvir histórias dos meus tios que viajavam pelo mundo fora. Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, respondia sempre “quero ser como os meus tios”.
Com o passar dos anos, este bichinho foi continuando a ser alimentado até se converter num objectivo de vida! Sim, mais do que ter um carro ou roupa de marca, viajar está sempre no top das minhas prioridades.

Dizem que viajar nos torna mais inteligentes e não poderia estar mais de acordo!Para mim viajar significa sobretudo conhecimento:
-Conhecimento do outro, da sua cultura, religião, hábitos, gastronomia; mas também conhecimento de nós próprios, da forma como nos relacionamos, como reagimos perante o desconhecido, dos nossos próprios limites!!
-Conhecimentos teóricos, mas também práticos, quando, por exemplo, estamos perdidos entre ruas e ruelas em plena Indonésia, rodeados de pessoas que mal falam inglês, e temos que nos “desenrascar” dê por onde der.

Quais são os tipos de viagens que preferes? 

Idealmente, quando planeio as minhas viagens, gosto de conciliar a cultura com a natureza, e se possível, também a praia, mas claro que isso depende muito do destino.
Aquilo que tento sempre, independentemente do destino escolhido, é que as minhas viagens contribuam, de alguma forma, para as pessoas, os animais e o planeta, de um ponto de vista sustentável, através da alimentação (vegan), do apoio a projectos e economias locais, de algum tipo de voluntariado, etc. 
Acredito verdadeiramente que podemos criar impacto positivo no mundo e aproveitar para fazê-lo enquanto viajamos é FANTÁSTICO!


Gostas mais de viajar sozinha ou acompanhada?

São experiências completamente diferentes! Quando viajo acompanhada, gosto, sobretudo, da partilha de experiências e histórias, dos risos e sorrisos que ficam na memória e do apoio que é dado mutuamente.

Por outro lado, quando viajo sozinha estou por minha conta e risco. Sinto uma liberdade imensa e ao mesmo tempo uma enorme responsabilidade!
Tudo se magnifica: o bom, o óptimo e o menos bom. Os meus sentidos expandem-se. Sinto-me mais mergulhada na cultura, mais disponível
para o outro e para mim mesma! É uma verdadeira prova de (auto)conhecimento!!!

Assim sendo, procuro sempre que haja um equilíbrio entre viajar sozinha e acompanhada, mas faço os possíveis para que, pelo menos uma vez no ano, faça uma viagem sozinha! Tal como costumam dizer “Travel is my Therapy”.

Que conselho darias a quem não tem companhia para viajar?

Por vezes perguntam-me onde é que eu arranjo coragem para viajar sozinha, se não é perigoso, aborrecido, etc.
A meu ver, este “passo” depende em grande parte do nosso bichinho interior “aka” da nossa personalidade/predisposição num determinado momento da nossa vida.
No meu caso, quando tomei a decisão de começar a viajar sozinha, foi porque o meu bichinho interior gritava para viver essa experiência.
Comecei por escolher um destino na Europa considerado seguro (li blogs e grupos de facebook de raparigas que viajavam sozinhas) e foi assim que surgiu Amsterdão!

Sem pensar muito olhei para o mapa de férias, cruzei-o com as disponibilidades dos voos e hotéis e reservei a viagem. Nos momentos que se seguiram, uma série de medos e dúvidas assolaram a minha cabeça: E agora? Onde é que me tinha metido? Será que não me tinha precipitado? E se me acontecesse alguma coisa lá? Apesar destas questões, algo dentro de mim me empurrava para a frente! Fui, e foi uma experiência
incrível! 

Por isso, se tens algo dentro de ti que te impele a viajar (mesmo sozinha):
– Pesquisa um país/cidade seguro, com baixo índice de criminalidade;
– Não penses muito na hora de reservares a viagem – por vezes, a nossa mente tem a capacidade de nos tentar passar a perna;
– Depois de reservares, se for mais confortável, faz um plano mais detalhado da viagem (locais a visitar, transportes, alimentação, etc.) – existem vários grupos nas redes sociais de “solo travellers”;
– E quando deres por ti, já estás a sonhar em preparar a próxima viagem!!!

Sou fã desta máxima: “If it scares you it might be a good thing to try!”


E para as pessoas que não viajam por falta de dinheiro, o que recomendas?

Confesso que o maior entrave que coloco na hora de planear uma nova viagem é o budget que necessito.
Contudo, considero mais uma vez que tem tudo a ver com as prioridades e objectivos que estabelecemos!

Uma vez que um dos meus grandes objectivos de vida é viajar, opto por adoptar algumas estratégias que me permitem poupar “alguns tostões”:
– Faço desafios de poupança mensais;
– Evito comprar roupa e produtos que não necessito (às vezes fico parada na loja que tempos com uma peça de roupa na mão a avaliar se de facto vou necessitar dela);
– Para todo o lado que vá, levo sempre atrás a minha marmita (almoços, lanches, etc.).
– Opto por jantares de amigos em casa, onde cada um trás um prato, em vez de ir a restaurantes.
– Tenho um frasco intitulado “Travel Fund” seguido do nome da viagem em questão, onde coloco as minhas poupanças para a dita viagem!

Tudo isto porque acredito que viajar é um investimento a todos os níveis!

 Obrigada Ana, que a vida te traga imensas viagens e aventuras. Vamos ficando atentos ao teu projeto! 

Deixe uma resposta