Finalmente, saímos de casa e fomos para o Alvão!
Para quem andava sempre em vadiagens, não foi fácil estar tanto tempo sem descobertas e explorações. Assim que tivemos autorização para desconfinar, aliámo-nos à Associação de Blogues de Viagem Portugueses e, no âmbito da iniciativa #euficoemportugal, decidimos conhecer a serra do Alvão. Escolhemos este destino pela sua genuinidade e, claro, pela sua beleza natural. Adoramos destinos de Natureza e, nesta fase em que devemos manter o distanciamento social, acreditamos que seria o destino ideal.

Neste artigo vamos partilhar o nosso roteiro de 2 dias e fornecer dicas de todos os locais que exploramos na serra do Alvão.

Conhecer o Alvão

A serra do Alvão faz parte do distrito de Vila Real. A sua altitude máxima é de 1330 metros e é aqui que se encontra inserido o Parque Natural do Alvão (PNAl). Este parque situa-se na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, ocupando parte dos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. A sua cor verdejante e a sua abundância de cursos de água, são as características herdadas do Minho.

O ex-libris do Parque Natural do Alvão são as quedas de água do rio Olo, ou seja, as Fisgas de Ermelo. Estas quedas de água constituem uma das paisagens mais interessantes do PNAl. No entanto, apesar da sua grande popularidade, existe muito mais para conhecer no Alvão, e foi a isso que nos dedicamos durante estes 2 dias.

Apesar de, outrora, esta região ter sido bastante povoada, pois os seus planaltos reuniam as condições ideais para o pastoreio e para as atividades agrícolas, hoje em dia a população das aldeias está reduzida. Contudo, é possível conhecer e observar a realidade dos seus habitantes. Além disso, aqui ainda se deseja o “bom dia” a quem passa.

Roteiro à nossa medida com a Por’Trilhos

Como existe pouca informação disponível sobre o Alvão, optámos por pedir ajuda à Por’Trilhos para a elaboração de um roteiro de 2 dias, feito à nossa medida, e rico em recursos naturais e tradições ancestrais.
A Carla e o Fernando são os responsáveis pela empresa e conhecem a serra do Alvão desde crianças. Após 20 anos na cidade, resolveram voltar às origens e agora têm como missão desenvolver experiências memoráveis e à medida de cada pessoa.

Além deste serviço, a Por’Trilhos oferece experiências no terreno. Em conjunto com pessoas locais, que nos ajudam a conhecer pormenores do dia a dia nas aldeias, transformam uma simples caminhada numa aprendizagem para a vida. Destacamos alguns dos trilhos temáticos mais procurados: o trilho do Pastor e o trilho da Maronesa. No entanto, a oferta é muito vasta e merece uma visita ao site.

Como clientes, saímos do Alvão eternamente gratos, pois conhecemos locais quase secretos e ao alcance de poucos, graças às dicas da Carla e do Fernando.

Onde dormir no Alvão?

Nesta viagem optámos por ficar alojados numa aldeia típica da serra do Alvão. Escolhemos a Casa da Avó Ana no Bobal, sendo a sua localização bastante central para explorar o Parque Natural do Alvão. Além disso, as vistas e a envolvência são mesmo de cortar a respiração e não conseguimos resistir a esse pormenor.

A casa é muito pitoresca, completamente equipada e muito confortável! Aloja até 4 pessoas e possui aquecimento, portanto, apesar do ar fresco da serra, não há problemas com as temperaturas baixas. A cozinha foi uma mais-valia neste alojamento, pois a oferta de restauração em todo o Parque Natural do Alvão é escassa. Demos prioridade aos picnics durante o dia e confecionamos o nosso jantar em casa.
O alojamento pertence ao Manuel, um homem de fibra que está a investir no Bobal e nos arredores, e que prontamente se ofereceu para nos fazer uma visita guiada à aldeia.

O que visitar na serra do Alvão?

Dia 1

  • Varzigueto
  • Piócas de Cima
  • Barreiro
  • Fervença
  • Ermelo
  • Ponte dos Presuntos
  • Miradouro de Paço
  • Miradouro Alto do Torrão
  • Parte da Estrada 304
  • Cascatas de Bilhó

Começamos o nosso primeiro dia com uma visita às aldeias do Parque Natural do Alvão e com um pequeno trilho até às Piócas de Cima.
Saindo do Bobal, rumamos até Varzigueto. O trilho inicia do lado direito da pequena ponte. Percorremos o trajeto acompanhando o rio até à primeira descida que surge no caminho. Após essa descida, caminhamos pelo carreiro do pastor e atravessámos para a outra margem do rio. A poucos metros, é possível ver as Piócas de Cima (pequenas lagoas de água cristalina). O regresso a Varzigueto pode ser feito por esse lado do rio e está bem sinalizado. As águas convidam a banhos, embora sejam geladas!

Existem várias formas de chegar a este local, mas foi o atalho que nos recomendaram por ser mais rico em termos de experiência, devido à falta de tempo para o PR3 MDB. Dessa forma, ainda conseguimos partilhar parte do trajeto com um pastor e com o seu rebanho. Podes também aceder às Piócas de Cima a partir do “parque de estacionamento”, um pouco antes de chegar a Varzigueto, ou pelo trilho PR3.

Nota: caso tenhas oportunidade, visita também as Piócas de Baixo e o Miradouro Alto da Cabeça Grande.

De volta à estrada, fizemos um desvio até ao Barreiro para contemplarmos a paisagem envolvente. É um dos locais ideais para assistires ao pôr do sol.
Seguimos a nossa viagem até a aldeia Fervença e ficámos encantados. A aldeia é pequenina, muito verde, cheia de socalcos e passou a ser a nossa preferida da Serra do Alvão! Se tiveres tempo, explora as cascatas e os moinhos.
Continuámos até à aldeia de Ermelo, a maior aldeia do Parque Natural do Alvão. É aqui que os amantes de caminhadas iniciam e terminam o PR3 MDB, portanto, é normal que tenhas alguma dificuldade em estacionar.

Da parte da tarde, percorremos a mítica estrada N304. É muito procurada pelos motociclistas e está a começar a ter alguma afluência pela quantidade de miradouros que oferece. As panorâmicas são incríveis. Destacamos o Miradouro de Paço e o do Alto do Torrão.

Regressando novamente em direção a Ermelo, fomos conhecer o Miradouro das Fisgas de Ermelo. A imponente cascata destaca-se por entre rochas quartzíticas de 480 milhões de anos! Foi a fraturação destas rochas duras que permitiu que o Rio Olo se tenha “enfisgado” nelas, originando assim o nome popular pelo qual é conhecida uma das maiores quedas de água de Portugal. Aqui todos os nossos sentidos ficam despertos. A paisagem é singular, vertiginosa, mas de uma beleza inigualável. O silêncio aqui é Rei!

Para contemplarmos o pôr do sol e finalizarmos o nosso primeiro dia, optámos por explorar as cascatas de Bilhó, do rio Cabrão. É uma queda de água muito bonita e também apetecível para banhos. Tem em conta que as lagoas são pequenas e facilmente ficam lotadas.

Dia 2

  • Bobal
  • Lamas de Olo
  • Barragem da Cimeira
  • Cascata de Galegos da Serra
  • Travassos
  • Campo do Seixo
  • Monte Farinha

Dedicamos a manhã do segundo dia para explorarmos a aldeia Bobal e para conhecermos alguns dos seus encantos mais secretos, acompanhados pelo Manuel da Casa da Avó Ana.
Após o almoço, seguimos para a pitoresca aldeia de Lamas de Olo e para a Barragem do Alvão.
As paisagens de cortar a respiração acompanharam-nos todo o dia, mas a grande surpresa foi o percurso até à cascata de Galegos da Serra. Difícil de descrever tamanha beleza, mas a vista panorâmica sobre Vila Real e a própria encosta onde se encontra a aldeia, conquistaram os nossos olhos.

Após 1001 fotografias à cascata de Galegos da Serra, atravessamos novamente todo o interior do Parque Natural do Alvão, e seguimos para Travassos: a única aldeia da Serra do Alvão que integra a rede nacional das “Aldeias de Portugal” e onde o granito se destaca nas suas construções bem conservadas.

Para terminarmos em grande esta viagem, aventurámo-nos a chegar ao cimo do Monte Farinha, percorrendo o Campo do Seixo. Uma experiência que poderás viver, desde que tenhas um veículo todo terreno ou um que aguente um longo percurso de terra batida. Este é um local pouco conhecido e muito apreciado pelos amantes da Natureza, mas não está sinalizado. Trata-se de um estradão que nos leva quase ao Santuário da Nossa Sra. da Graça, rico em densa vegetação de uma floresta ancestral e onde, muito provavelmente, encontrarás Garranos a correr livremente. Mais um local que nos ficará na memória, quer pela adrenalina do trajeto, como pela sua singularidade!

Respeita a Natureza

Ao visitares o Alvão é fundamental que mantenhas uma atitude responsável perante a Natureza e que deixes o local melhor do que estava quando o encontraste. Respeita os habitantes, a fauna e a flora. Relembramos a etiqueta da Natureza neste artigo!



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