Serra do Alvão, roteiro de 2 dias
Atualizado em fevereiro de 2026
Finalmente, fizemo-nos à estrada rumo ao Alvão. Depois de algum tempo com as viagens em pausa, sentíamos mesmo falta de voltar a explorar e descobrir novos recantos em Portugal. Escolhemos o Parque Natural do Alvão pela sua autenticidade, paisagens preservadas e pela tranquilidade que a serra oferece em qualquer altura do ano.
No Alvão, é a natureza que dita o ritmo. Trilhos, aldeias de montanha, cascatas imponentes e miradouros naturais tornam este parque perfeito para quem procura ar puro e silêncio. É um destino ideal para desligar do ritmo acelerado do dia a dia e reconectar com o essencial.
Neste artigo partilhamos o nosso roteiro de dois dias pela serra do Alvão, com dicas práticas sobre os locais que visitámos, sugestões úteis e tudo o que precisas de saber para planear a tua escapadinha em plena natureza.
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Índice
Conhecer o Alvão
A serra do Alvão integra o distrito de Vila Real e atinge uma altitude máxima de 1.330 metros. É aqui que se encontra o Parque Natural do Alvão, uma área protegida situada na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, abrangendo parte dos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. A paisagem é marcada pelo verde intenso e pela abundância de cursos de água, características que revelam a influência minhota nesta região.
O grande ex-libris do parque são as impressionantes Fisgas de Ermelo, formadas pelo rio Olo. Estas quedas de água são uma das imagens mais icónicas do Alvão e atraem visitantes ao longo de todo o ano. No entanto, apesar da sua fama, o parque tem muito mais para oferecer. Trilhos, aldeias serranas, miradouros e paisagens amplas fazem do Alvão um destino completo para quem aprecia natureza e autenticidade.
Em tempos, esta região foi bastante povoada. Os planaltos ofereciam boas condições para o pastoreio e para a agricultura, sustentando comunidades ligadas à terra. Hoje, a população das aldeias é mais reduzida, mas a identidade mantém-se viva. É possível observar o quotidiano dos habitantes e sentir uma hospitalidade genuína. Aqui, ainda se cumprimenta quem passa.
Roteiro à nossa medida com a Por’Trilhos
Como existe pouca informação estruturada sobre o Parque Natural do Alvão, decidimos pedir ajuda à Por’Trilhos para criar um roteiro de dois dias totalmente adaptado a nós, focado em natureza, tradição e autenticidade.
A Carla e o Fernando estão por trás do projeto. Cresceram na serra do Alvão e, depois de cerca de 20 anos na cidade, regressaram às origens com a missão de valorizar o território e criar experiências personalizadas. Conhecem cada trilho, cada aldeia e cada história que faz parte desta região.
Para além da elaboração de roteiros, a Por’Trilhos organiza experiências no terreno em parceria com habitantes locais. Estas caminhadas vão muito além do simples passeio. São momentos de partilha, onde se aprende sobre o pastoreio, a raça maronesa, os costumes e o quotidiano serrano. Entre os trilhos temáticos mais procurados destacam-se o Trilho do Pastor e o Trilho da Maronesa, embora a oferta seja bastante mais ampla.
Saímos do Alvão profundamente gratos. Graças às sugestões da Carla e do Fernando, descobrimos locais quase secretos, longe dos percursos mais óbvios, e vivemos a serra de forma mais genuína e consciente.
Onde dormir no Alvão?
Nesta viagem optámos por ficar alojados numa aldeia típica da serra do Alvão. Escolhemos a Casa da Avó Ana, situada no Bobal, pela sua localização central para explorar o Parque Natural do Alvão. As vistas sobre a serra e a envolvência natural conquistaram-nos logo à chegada.
A casa é pitoresca, acolhedora e totalmente equipada. Tem capacidade para até quatro pessoas e dispõe de aquecimento, o que garante conforto mesmo nos dias mais frios da serra. A cozinha revelou-se essencial, já que a oferta de restaurantes no parque é limitada. Durante o dia fizemos piqueniques pelos trilhos e, ao final da tarde, preparávamos o jantar com calma.
O alojamento pertence ao Manuel, que está a investir na dinamização do Bobal e das redondezas. Recebeu-nos com grande disponibilidade e ofereceu-se para nos acompanhar numa visita guiada à aldeia, partilhando histórias e detalhes que só quem vive ali conhece. Foi um daqueles encontros que enriquecem verdadeiramente a experiência.
A Casa do Prado Guesthouse, o Hotel Rural Quinta do Paço e o Refúgio Muas Nature são outras três excelentes opções para explorar o Parque Natural do Alvão com conforto e tranquilidade.
O que visitar na serra do Alvão?
Dia 1
- Varzigueto
- Piócas de Cima
- Barreiro
- Fervença
- Ermelo
- Ponte dos Presuntos
- Miradouro de Paço
- Miradouro Alto do Torrão
- Parte da Estrada 304
- Cascatas de Bilhó
Começámos o primeiro dia à descoberta das aldeias do Parque Natural do Alvão e com um pequeno trilho até às Piócas de Cima.
Saindo do Bobal, seguimos em direção a Varzigueto. O trilho começa do lado direito da pequena ponte da aldeia. A partir daí, caminhámos sempre junto ao rio até surgir a primeira descida no percurso. Depois dessa parte mais inclinada, seguimos pelo chamado carreiro do pastor e atravessámos para a outra margem. A poucos metros surgem as Piócas de Cima, pequenas lagoas de água cristalina que impressionam pela transparência e pelo enquadramento natural. O regresso a Varzigueto pode ser feito pelo mesmo lado do rio e encontra-se bem sinalizado. As águas são convidativas, mas bastante frias.
Existem várias formas de chegar a este local. Escolhemos o atalho que nos recomendaram, por ser mais enriquecedor em termos de experiência e mais adequado ao tempo disponível, já que não conseguimos fazer o PR3 MDB na totalidade. Esta opção permitiu-nos cruzar caminho com um pastor e o seu rebanho, um momento simples que deu ainda mais autenticidade à caminhada.
Também é possível aceder às Piócas de Cima a partir do pequeno parque de estacionamento antes de chegar a Varzigueto ou através do trilho PR3.
Nota: se tiveres tempo, inclui no teu roteiro as Piócas de Baixo e o Miradouro Alto da Cabeça Grande, que oferecem perspetivas diferentes e igualmente impressionantes da serra.
De volta à estrada, fizemos um pequeno desvio até ao Barreiro para contemplar a paisagem envolvente. É um dos locais ideais para assistir ao pôr do sol, com vistas amplas sobre a serra e um ambiente sereno.
Seguimos depois para a aldeia de Fervença e ficámos rendidos. Pequena, muito verde e marcada por socalcos tradicionais, tornou-se a nossa favorita na serra do Alvão. Se tiveres tempo, vale a pena explorar as cascatas e os antigos moinhos espalhados pela envolvente.
Continuámos até Ermelo, a maior aldeia do Parque Natural do Alvão. É também o ponto de partida e chegada do trilho PR3 MDB, pelo que é normal haver alguma dificuldade em estacionar nos dias de maior afluência.
Da parte da tarde, percorremos a mítica N304. Muito procurada por motociclistas, começa também a atrair visitantes pelas paisagens e pelos vários miradouros ao longo do trajeto. As panorâmicas são impressionantes. Destacamos o Miradouro de Paço e o Miradouro do Alto do Torrão, ambos com vistas amplas sobre o vale e as serras em redor.
No regresso a Ermelo, visitámos o Miradouro das Fisgas de Ermelo. A imponente cascata destaca-se entre rochas quartzíticas com cerca de 480 milhões de anos. Foi a fraturação destas rochas que permitiu ao rio Olo abrir caminho e “enfisgar-se” nelas, dando origem ao nome popular de uma das maiores quedas de água de Portugal, as Fisgas de Ermelo. Aqui, todos os sentidos despertam. A paisagem é grandiosa, quase vertiginosa, mas de uma beleza singular. O silêncio impõe-se e domina o cenário.
Para contemplarmos o pôr do sol e finalizarmos o nosso primeiro dia, optámos por explorar as cascatas de Bilhó, do rio Cabrão. É uma queda de água muito bonita e também apetecível para banhos. Tem em conta que as lagoas são pequenas e facilmente ficam lotadas.
Dia 2
- Bobal
- Lamas de Olo
- Barragem da Cimeira
- Cascata de Galegos da Serra
- Travassos
- Campo do Seixo
- Monte Farinha
Dedicámos a manhã do segundo dia a explorar a aldeia do Bobal e alguns dos seus recantos menos conhecidos, acompanhados pelo Manuel da Casa da Avó Ana. Caminhámos pelas ruelas, conhecemos histórias antigas e percebemos melhor a vida na serra.
Depois do almoço, seguimos para a pitoresca Lamas de Olo e para a Barragem do Alvão. As paisagens amplas acompanharam-nos durante todo o percurso, mas a grande surpresa surgiu no caminho até à Cascata de Galegos da Serra. A vista panorâmica sobre Vila Real e sobre a encosta onde se encontra a aldeia é impressionante e difícil de traduzir por palavras.
Depois de muitas fotografias, atravessámos novamente o interior do Parque Natural do Alvão em direção a Travassos, a única aldeia da serra integrada na rede das Aldeias de Portugal. O granito domina as construções bem conservadas e reforça a identidade rural do lugar.
Para terminar a viagem em grande, subimos ao Monte Farinha, percorrendo o Campo do Seixo. O acesso faz-se por um longo troço de terra batida, aconselhável apenas para veículos todo-o-terreno ou mais robustos. O caminho, pouco sinalizado, conduz quase até ao Santuário de Nossa Senhora da Graça, atravessando uma área de vegetação densa que lembra uma floresta ancestral. Pelo percurso, é comum encontrar garranos a correr livremente. Foi um final intenso, marcado pela adrenalina do trajeto e pela singularidade do lugar.


































